Por que os provedores vão ficar pelo caminho
Entenda a fase em que estamos para os ISPs.
Por Mauro Fagotti. , 3 min de leitura.
É assim no Brasil, nos EUA, no mundo. São muitas razões e desculpas que só um bom entendedor engole. Mas o que é indiscutível é a preferência do consumidor por qualidade e atendimento. Só que é preciso saber vender a imagem, com posicionamento claro e distintivo.
| Segmento | NPS médio |
|---|---|
| E-commerce | 61,0 |
| Drogarias | 53,8 |
| Foodtechs | 50,2 |
| Bancos | 31,7 |
| Telecomunicações o menor da lista | 4,0 |
Este levantamento usa a metodologia NPS (Net Promoter Score), que mostra o percentual de pessoas que avaliam bem menos o percentual das que avaliam mal; o que sobra é o NPS líquido. Telecom atingiu 4 no NPS, o equivalente a dizer que, de cada 100 pessoas, 52 avaliam bem e 48 não recomendam o serviço que elas mesmas escolheram. Uma taxa muito baixa em comparação aos outros setores.
Em nossa jornada pudemos verificar dezenas de vezes que o problema está na Interação Com o Cliente.
Comunicação falha, pegadinhas e serviço inferior ao que o cliente gostaria. Ele quer que funcione em todos os lugares o tempo todo. Essa é a parte da qualidade. A outra, que afeta totalmente a percepção da primeira, é que as empresas não conseguem explicar para o cliente os serviços que vendem, e não sabem vender os serviços que os clientes gostariam. Resulta em cliente pagando pouco e insatisfeito.
Soma-se a isso o histórico de posturas das operadoras com o cliente que hoje seriam ilegais. Ele já acha que todo o setor é malandro, o que em parte ainda é, e os bons pagam pelos maus.
Mas o que é desafiador também é oportunidade, e se diferenciar nesse contexto fica muito mais fácil (sim, muito) porque todo mundo é muito semelhante. Ouvir o cliente, abrir a cabeça e entregar o que ele quer. E, claro, investir pesado em formas cativantes de explicar os benefícios para a vida dele, e não aspectos técnicos.
A maioria dos provedores, e das empresas em geral, não é inovadora e cresceu surfando na inovação da fibra óptica por inércia. Agora que a fibra não é mais diferencial, encontraram a estagnação acompanhada de alta competitividade.
Sejam bem-vindos à maturidade do setor.
Quando todo mundo é igual, quem ganha é o preço. E preço baixo é coisa de gente grande, que tem volume. É diferenciar ou ser engolido pelo mercado.
Inovação é fazer algo que nunca foi pensado e que realmente traga valor para o negócio. Por isso, além de profissionalizarmos a atuação dos provedores com práticas de gestão já testadas, atuamos com pesquisa de mercado para definir um diferencial que seja estratégico e um portfólio de serviços que atenda necessidades específicas do seu público.
Se você está falando que sua internet é a mais rápida, esse discurso não convence ninguém. Por que eu acreditaria? Todo mundo fala isso.
Temos que construir diferenciais e argumentos que sejam imbatíveis perante a concorrência, o que chamamos em propaganda de “Reasons Why”: os motivos pelos quais eu acreditaria na sua mensagem. Por exemplo, se você acredita que instalar rápido é importante para o seu público, imagine oferecer um “instalamos na hora”. Se o problema é esse, você é imbatível. Isso é Posicionamento de Mercado.
Propaganda sem um “Reason Why” não funciona e te mantém na régua da briga por preço, mesmo que você tenha uma razão para acreditar. Se você não tem nada de diferente, agora é uma boa hora para começar a construir e criar valor. Eu não sei exatamente o que você deveria fazer, mas tem alguém que sabe: o cliente. Chame alguns e converse 10 minutos com cada um, com perguntas simples como “por que você veio para nós?”, “o que fez você desistir do antigo provedor?” e “como eu e meus serviços temos que ser para você ser mais feliz?”. Comece pelo cliente, e tenha também o cliente como fim.